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Lançamento

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Há muito o Bandido Mimosa desconfia não haver muito interesse em se analisar seus recursos de clemência, Ou que, até por displicência, algum meirinho pudesse ter extraviado, na confusão dos escaninhos, a papelada contendo os detalhes das audiências de custódia, dos depoimentos da promotoria, ou os contra-argumentos da defensoria, que, embora bastante frágeis, em sua falta – e isto é certo – demandaria todo um novo caminhar de prazos e petições e assinaturas e lacres e autenticaçõese, enquanto isso, ele ali apodrecendo a cada dia, catando guimbas imaginárias e esperando santos desejados e reis de Algarve, que jamais se davam conta de gente como ele.

Há muito o bandido Mimosa era desejoso de liberdade. Mas bradava sua vontade para dentro de si, como quem clama uma impossibilidade, posto que desde que se tinha por gente jamaisa havia desfrutado, nem por um tanto. Assim como jamais havia desfrutado o beijo de um lábio, ou o fruto doce do tamarindeiro.
Liberdade era, assim, como o sabor de um pomo nunca antes deleitado.

-Hey, enfim El Rey está de volta, e a salvação aos conversos e a libertação aos esquecidos! Redimir os circuncisos e os pagãos e os mestiços. Enfim o gosto doce do fruto do tamarindeiro!

(Os Chacras do Imperador, de Iberê do Nascimento)

 

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